Viih Tube e Eliezer pagarão R$ 350 mil e encerram reality

📷 Reprodução: G1/YouTube

Viih Tube e Eliezer entraram numa das maiores polêmicas da carreira do casal — e desta vez o assunto foi parar na Justiça do Trabalho. Os influenciadores assinaram um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), encerraram oficialmente o reality caseiro “As Patroas” e terão que pagar R$ 350 mil por dano moral coletivo. A bomba foi confirmada pelo portal G1 e repercutida por veículos como o Estadão.

O programa que rendeu a dor de cabeça colocava 11 funcionários da residência do casal para disputar provas em troca de prêmios, como dinheiro e redução da jornada de trabalho. E foi justamente o formato que acendeu o alerta do Ministério Público e detonou uma enxurrada de críticas nas redes sociais.

O que era o reality “As Patroas”

“Esse é o reality, literalmente, da nossa casa.” Foi com essa frase que Viih Tube apresentou o programa aos seguidores. A ideia era simples e, para muita gente, problemática: os empregados domésticos que trabalham na mansão do casal competiam entre si por um prêmio de mais de R$ 20 mil.

O primeiro episódio foi ao ar no canal da ex-BBB no YouTube e nas redes do casal. Menos de 24 horas depois, o vídeo foi retirado da plataforma após uma onda gigantesca de críticas sobre a exposição da relação entre patrões e empregados. Mesmo assim, o conteúdo seguiu circulando no Instagram e no TikTok, e um segundo episódio ainda chegou a ser publicado.

As provas que revoltaram a internet

O que mais chocou o público foram as dinâmicas do programa. Em uma delas, os participantes precisavam procurar moedas de plástico dentro de vasos sanitários e lixeiras. Cenas assim viralizaram e transformaram o reality num dos assuntos mais comentados — e criticados — das redes sociais nas últimas semanas.

Foi diante dessa repercussão que o MPT abriu uma investigação para apurar se o formato violava direitos trabalhistas, ao expor publicamente os empregados e usar a imagem deles com finalidade comercial. Viih Tube e Eliezer participaram de uma audiência no início de julho, em Barueri, onde o acordo acabou sendo firmado.

Os termos do acordo: multa, vídeos e proibições

O Termo de Ajuste de Conduta (TAC) vai muito além do pagamento em dinheiro. Pelo acordo, o casal terá que:

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  • Pagar R$ 350 mil por dano moral coletivo, valor que será destinado a um fundo público, e não diretamente aos trabalhadores;
  • Retirar do ar, em até 48 horas, todos os conteúdos considerados irregulares;
  • Publicar três vídeos educativos sobre os direitos dos empregados domésticos;
  • Não produzir conteúdos que exponham trabalhadores a situações humilhantes ou vexatórias, ainda que haja consentimento.

Em caso de descumprimento, a multa será de R$ 50 mil por cláusula violada, acrescida de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado. Segundo a procuradora do Trabalho Patrícia Mauad Patruni Isotton, o TAC representa “uma oportunidade de conscientização sobre os direitos dos empregados domésticos”. O G1 informou que procurou os influenciadores, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

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Até onde vai o poder de um chefe influenciador?

O caso reacendeu um debate importante sobre os limites entre a relação de trabalho e o entretenimento. Segundo a advogada trabalhista Paula Borges, ouvida pelo G1, o vínculo empregatício, por si só, não autoriza a exploração comercial da imagem do trabalhador. Um simples termo de uso de imagem não basta: seria preciso um contrato específico, remunerado e totalmente voluntário.

“A recusa não pode gerar punições, perda de benefícios ou até uma demissão. Qualquer consequência negativa na relação de emprego é ilegal”, explicou a especialista. Para ela, o ponto mais delicado é a pressão implícita: um funcionário pode sentir que precisa aceitar o convite por medo de desagradar o patrão, mesmo sem uma ameaça direta.

A repercussão nas redes e o “efeito As Patroas”

Desde que os primeiros trechos do reality vazaram, o nome de Viih Tube não saiu dos assuntos mais comentados. De um lado, seguidores fiéis defendiam o casal, argumentando que os funcionários teriam concordado em participar e receberiam prêmios. Do outro, uma parcela enorme do público classificou o programa como humilhante, cobrando providências das autoridades.

O debate ultrapassou o entretenimento e chegou a advogados, sindicatos e parlamentares, que passaram a discutir os limites do uso da imagem de trabalhadores em conteúdos digitais. O episódio virou estudo de caso sobre o que pode e o que não pode quando patrão e influenciador são a mesma pessoa — e o local de trabalho é também o cenário de gravação.

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Para especialistas, o “efeito As Patroas” pode servir de precedente. A Justiça do Trabalho já tem entendimento consolidado de que obrigar empregados a participar de situações potencialmente vexatórias extrapola os limites do poder do empregador e pode gerar indenização por danos morais. Ou seja: o que aconteceu com o casal pode se repetir com outros criadores que apostam no mesmo tipo de conteúdo.

Um recado para toda a creator economy

Viih Tube e Eliezer são hoje um dos casais mais influentes da internet brasileira, com milhões de seguidores e um império de conteúdo construído justamente em cima da rotina familiar. Por isso mesmo, o desfecho ganha um peso simbólico: mostra que nem os maiores nomes do digital estão imunes às regras trabalhistas quando transformam a vida de terceiros em espetáculo.

A obrigação de publicar vídeos educativos sobre os direitos dos empregados domésticos também tem um caráter pedagógico. Em vez de apenas punir, o MPT aposta na conscientização de milhões de fãs que acompanham o casal — muitos deles jovens que sonham em viver de internet. A mensagem é direta: audiência não justifica tudo.

Enquanto isso, os holofotes seguem sobre Viih Tube e Eliezer, que agora terão que reconstruir a imagem depois de uma das crises mais delicadas da trajetória do casal. Resta saber como eles vão se posicionar publicamente e se o episódio vai mudar de vez a forma como criadores brasileiros lidam com quem trabalha por trás das câmeras.

Enquanto o casal se posiciona sobre o desfecho, o episódio já entra para a história como um dos maiores alertas jurídicos envolvendo criadores de conteúdo no Brasil. E deixa uma pergunta no ar para os próximos realities caseiros que insistem em transformar a rotina doméstica em espetáculo.

❓ Perguntas frequentes

Qual o valor da multa que Viih Tube e Eliezer pagarão?

R$ 350 mil é o valor que o casal terá que pagar por dano moral coletivo, conforme acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho.

O que os funcionários precisavam fazer no reality de Viih Tube e Eliezer?

Os participantes do reality precisavam realizar dinâmicas como procurar moedas de plástico dentro de vasos sanitários e lixeiras da residência.

Quais são as obrigações de Viih Tube e Eliezer no acordo com o MPT?

O casal deve pagar R$ 350 mil, retirar conteúdos irregulares do ar em 48 horas, publicar três vídeos educativos sobre direitos trabalhistas e não produzir conteúdos que exponham trabalhadores a situações vexatórias.

Qual foi a resposta de Viih Tube e Eliezer sobre a polêmica?

O dado não foi divulgado, pois o G1 informou que procurou os influenciadores, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.


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