📷 Reprodução: Revista Quem
Quando a bola rolar na Copa do Mundo de 2026, milhões de brasileiros vão ouvir uma voz familiar saindo de um lugar inesperado: o SBT. Galvão Bueno, o narrador mais icônico da televisão brasileira, está de volta aos Mundiais — e desta vez não é na Globo.
É a primeira vez desde 1978 que o veterano de 75 anos cobre uma Copa fora da emissora carioca. Aos detalhes, a história é ainda mais curiosa: Galvão não só narra como praticamente arquitetou toda a operação esportiva da casa que foi de Silvio Santos.
Galvão chega à 14ª Copa como peça central do SBT
Segundo a Notícias da TV, Galvão Bueno será responsável por dez transmissões durante a Copa do Mundo de 2026, incluindo todas as partidas da Seleção Brasileira na TV aberta. A emissora fundada por Silvio Santos se uniu à N Sports — grupo de conteúdo esportivo do qual o próprio Galvão é sócio desde junho de 2025 — para sublicenciar as partidas sob o guarda-chuva da Livemode.
Ao todo, serão 32 jogos distribuídos entre a TV aberta, o YouTube e o streaming +SBT. Apenas uma dezena dessas partidas terá Galvão no comando, dividindo a grade com Tiago Leifert, mas o papel do narrador vai muito além do microfone.
De acordo com André Barros, CEO da N Sports, ouvido pela Notícias da TV, foi justamente a presença da voz de Galvão nos jogos do Brasil que viabilizou a criação do consórcio com o SBT. “A gente colocou o que a gente enxergava do posicionamento da N Sports (…) e, graças a Deus, também tinha o interesse deles em ter o Galvão como voz”, afirmou o executivo.
O narrador montou o próprio time dos sonhos
Mais do que protagonista no ar, Galvão escolheu a dedo quem estaria ao seu lado. Foi ele quem convidou pessoalmente os repórteres Mauro Naves e André Hernan para acompanhar o dia a dia da Seleção, além de definir os comentaristas Alexandre Pato e Mauro Beting para as transmissões.
O convite a Beting virou anedota. “O Galvão me liga e fala: ‘Você trabalha em 100 lugares, mas é o seguinte, me arruma 45 dias para estar do meu lado e do lado do Alexandre Pato na transmissão da Copa do Mundo pelo SBT’. Em 36 anos de jornalismo esportivo (…) eu nunca fiquei tão sem palavras como naquele momento”, revelou o comentarista em coletiva de imprensa.
Apesar de não ter comparecido ao evento de apresentação por questões de saúde — Galvão foi recém-operado na coluna, segundo o Terra —, o narrador enviou um vídeo emocionado sobre o projeto: “Nós formamos um time com muito cuidado, fomos buscar profissionais com experiência. Alguns são ex-parceiros meus de Copas do Mundo, outros novos.”

O amuleto que Galvão fez questão de levar
Fiel às suas tradições, Galvão não chegou de mãos vazias à casa de Silvio Santos. A poucos dias da estreia da Seleção, o narrador garantiu a presença de um amuleto histórico que o acompanha há anos nas transmissões dos jogos do Brasil — uma superstição que faz parte do seu ritual de Copa e que ele trouxe da Globo direto para o SBT.
O gesto reforça o clima que Galvão quer imprimir à cobertura: leveza e celebração. “Estamos todos aqui em uma casa alegre, será uma cobertura alegre. Isso eu vou exigir de todo mundo”, disse o veterano, que aposta numa comunicação mais solta e descontraída, em sintonia com o perfil “multitela e multigeracional” defendido pela N Sports.
A honra de fechar a carreira na casa de Silvio Santos
Para Galvão, vestir a camisa do SBT tem peso simbólico. Em sua trajetória, ele já narrou Copas por um pool de Gazeta, Bandeirantes e Record em 1974, pela Band em 1978 e por 11 edições consecutivas na Globo. Faltava apenas a emissora do Baú.
“Eu tenho muita honra de estar fazendo minha 14ª Copa do Mundo e eu digo sempre: me faltava a casa de Silvio Santos”, declarou o narrador. Em entrevistas, ele já sinalizou que este Mundial deve ser sua despedida das Copas — o que torna a parceria ainda mais carregada de emoção para o público que cresceu ouvindo seu “Haja coração”.
O movimento também redesenha a guerra de audiência da TV brasileira. Enquanto a Globo promete mais de mil horas de conteúdo com 500 profissionais, o SBT aposta no carisma de Galvão como sua principal arma para fisgar o telespectador nos jogos do Brasil.
Como ficou a divisão entre Galvão e Leifert
A grade do SBT foi desenhada com cuidado. Galvão Bueno fica responsável pelas dez transmissões de maior apelo — com prioridade total para os jogos da Seleção Brasileira na TV aberta —, enquanto Tiago Leifert assume o maior volume de partidas ao longo do torneio, cobrindo o restante dos 32 confrontos, conforme detalhou a coluna Outro Canal, da Folha, distribuídos entre TV, YouTube e o streaming +SBT.

A lógica é clara: reservar o maior símbolo da narração brasileira para os momentos de pico de audiência, quando o país inteiro para diante da TV. É a “cabeça de chave” do SBT, como definiu a imprensa especializada, jogando exatamente onde o telespectador mais sente a diferença.
Nos bastidores, a operação envolve uma estrutura robusta de reportagem montada pelo próprio narrador, com nomes de peso acompanhando a delegação brasileira de perto. A aposta é que a experiência somada ao carisma de Galvão consiga rivalizar com a máquina da Globo, que historicamente domina a transmissão de Copas no país.
A web reage à volta da voz de sempre
Nas redes sociais, o retorno de Galvão às Copas mobilizou torcedores de todas as idades. “Copa do Mundo combina com Galvão Bueno”, repetiram fãs em vídeos que viralizaram, numa demonstração de que a relação afetiva do público com o narrador atravessa gerações. Para muitos, ouvir Galvão é parte indissociável da experiência de assistir o Brasil em campo.
Há também quem veja na mudança um capítulo de virada para a TV aberta brasileira: a primeira grande Copa do narrador longe da Globo em quase cinco décadas vira, por si só, um acontecimento histórico — independentemente do placar dentro das quatro linhas.
Uma coisa é certa: com Galvão no microfone, o “Brasil!” do gol vai soar exatamente como você lembra.
📰 Fontes consultadas
❓ Respostas rápidas
Quantas Copas do Mundo Galvão Bueno já narrou?
14 Copas do Mundo é a marca que Galvão Bueno atinge ao narrar o Mundial de 2026 pelo SBT, sendo este um feito que ele considera uma honra completar na emissora de Silvio Santos.
Quem Galvão Bueno escolheu para compor sua equipe de transmissão?
Galvão Bueno selecionou os repórteres Mauro Naves e André Hernan para acompanhar a Seleção, além de convidar os comentaristas Alexandre Pato e Mauro Beting para trabalharem ao seu lado durante os jogos.
Como será a divisão de transmissões entre Galvão Bueno e Tiago Leifert no SBT?
Galvão Bueno ficará responsável pelas dez partidas de maior apelo, incluindo todos os jogos da Seleção Brasileira na TV aberta, enquanto Tiago Leifert cobrirá o restante dos 32 confrontos distribuídos entre TV, YouTube e o streaming +SBT.
Por que Galvão Bueno não compareceu ao evento de apresentação do SBT?
Galvão Bueno não esteve presente no evento devido a questões de saúde, pois o narrador passou por uma cirurgia recente na coluna, conforme informações divulgadas pelo Terra.

💬 Comentários