π Publicado em 28 de junho de 2026 Β· Papo de Estrela
π· ReproduΓ§Γ£o: Purepeople
Tem ator que emociona com o personagem. E tem ator que emociona com a prΓ³pria vida. Alexandre Borges, hoje no ar como o complexo Ulisses da novela “Quem Ama Cuida”, pertence ao segundo grupo. Aos 60 anos, o galΓ£ que marcou geraΓ§Γ΅es como Cadinho de “Avenida Brasil” e Danilo de “LaΓ§os de FamΓlia” protagonizou um dos relatos mais comoventes jΓ‘ vistos na televisΓ£o brasileira ao falar sobre o que viveu longe dos holofotes: o cuidado diΓ‘rio com a mΓ£e, Rosalinda, vΓtima do Mal de Alzheimer. A histΓ³ria voltou a circular e arrancou lΓ‘grimas de quem reencontrou o depoimento.
Segundo o Purepeople, Rosalinda morreu em setembro de 2021, aos 83 anos, depois de uma longa batalha contra a doenΓ§a. Anos depois, em entrevista ao “Conversa com Bial”, conforme relembrou o UOL, o ator abriu o coraΓ§Γ£o sobre a descoberta do diagnΓ³stico e o processo de despedida β e o que ele contou ajuda a entender por que tanta gente se reconhece nessa dor.
Como tudo comeΓ§ou: um barulho, uma queda e um diagnΓ³stico silencioso
O comeΓ§o, como costuma ser com o Alzheimer, foi quase imperceptΓvel. Alexandre relembrou o momento exato em que percebeu que algo estava errado em casa. “TΓ΄ lavando a louΓ§a e ouΓ§o um barulho. Fui no meu quarto e ela tinha caΓdo. AΓ internei ela para fazer uma operaΓ§Γ£o de fΓͺmur e conseguiu sobreviver. Mas dali veio o diagnΓ³stico, de forma silenciosa”, contou o ator.
A explicaΓ§Γ£o mΓ©dica que se seguiu foi tΓ£o dura quanto a queda. “O pequeno infarto gerou um trombo, que gerou um AVC, o que potencializou o Mal de Alzheimer”, descreveu. Em poucas frases, Alexandre resumiu o efeito dominΓ³ cruel que muitas famΓlias brasileiras conhecem de perto: um susto aparentemente pequeno que se transforma em um diagnΓ³stico capaz de mudar a rotina de todos ao redor.
A pandemia e a decisΓ£o de parar a carreira pela mΓ£e
Foi durante a pandemia de covid-19 que o ator tomou a decisΓ£o que define muito do seu carΓ‘ter. Em vez de seguir aceitando trabalhos, Alexandre Borges escolheu dedicar grande parte do tempo aos cuidados com Rosalinda. Recusou projetos, abriu mΓ£o de holofotes e ficou ao lado da mΓ£e nos momentos mais difΓceis β uma escolha que poucos tΓͺm coragem de assumir publicamente, ainda mais em uma profissΓ£o onde sumir das telas costuma custar caro.

Mesmo diante da perda, o ator encontrou uma forma serena de enxergar a despedida. “Deus foi muito bom porque nΓ£o queria estar numa situaΓ§Γ£o de ver minha mΓ£e morrendo. Ela teve convulsΓ΅es e eu me emocionei. Deus foi bom porque ela poderia estar em estado vegetativo”, refletiu, em uma fala que mistura fΓ©, alΓvio e o luto de quem acompanhou cada etapa da doenΓ§a de perto.
A mΓΊsica como ponte: a homenagem que poucos entenderam na hora
Quem assistiu ao “The Masked Singer Brasil” e viu Alexandre fantasiado de onΓ§a-pintada talvez nΓ£o soubesse o significado por trΓ‘s daquela participaΓ§Γ£o. A escolha da mΓΊsica nΓ£o foi aleatΓ³ria. “Fui eu que escolhi o repertΓ³rio. Uma coisa muito legal, porque durante essa pandemia, eu cuidei muito da minha mΓ£e. Pra pessoas com Alzheimer, a mΓΊsica Γ© muito importante. E eu passei praticamente o ano cantando com a minha mΓ£e”, revelou ao UOL.
A canΓ§Γ£o escolhida foi “AnunciaΓ§Γ£o”, de Alceu ValenΓ§a β uma das preferidas de Rosalinda. “Foi uma homenagem a ela”, explicou o ator. NΓ£o Γ toa: estudos sobre Alzheimer apontam que a mΓΊsica Γ© uma das poucas pontes que continuam abertas mesmo quando a memΓ³ria vai se apagando, ativando emoΓ§Γ΅es e lembranΓ§as que as palavras jΓ‘ nΓ£o alcanΓ§am. Para Alexandre, cantar com a mΓ£e foi, ao mesmo tempo, terapia e despedida.
“FaΓ§a as pazes com seus pais”: a frase que virou liΓ§Γ£o nacional
Entre todos os depoimentos, uma frase de Alexandre Borges ecoou mais alto do que qualquer outra. “FaΓ§a as pazes com seus pais, perdoe, nΓ£o fique guardando coisas do passado”, disse o ator. Simples na forma, devastadora no peso, a fala ganhou ainda mais forΓ§a diante da histΓ³ria que ele acabara de contar β e rapidamente se espalhou nas redes como um lembrete urgente sobre o valor do tempo ao lado de quem se ama.
Rosalinda, vale lembrar, era apaixonada por televisΓ£o e acompanhava com orgulho a trajetΓ³ria do filho ΓΊnico. Ironia bonita do destino: o trabalho que tirava Alexandre de casa era tambΓ©m aquilo que mais enchia a mΓ£e de orgulho. Hoje, cada personagem dele carrega, de algum modo, um pedaΓ§o daquela plateia de uma sΓ³ pessoa que torcia da poltrona.

Da dor real ao papel de Ulisses em “Quem Ama Cuida”
O reencontro com essa histΓ³ria ganha um significado extra justamente agora. Em “Quem Ama Cuida”, Alexandre vive Ulisses, um personagem que tambΓ©m enfrenta dramas familiares profundos β e o ator tem usado a prΓ³pria sensibilidade, construΓda na vida real, para dar verdade a cada cena. NΓ£o Γ© exagero dizer que o pΓΊblico sente algo diferente quando o assiste: hΓ‘ uma camada de vivΓͺncia que nenhum roteiro consegue ensinar.
A repercussΓ£o foi imediata. Nas redes sociais, fΓ£s e telespectadores se emocionaram, compartilharam a frase do ator e usaram o depoimento para refletir sobre as prΓ³prias relaΓ§Γ΅es familiares. Muitos relataram ter ligado para os pais depois de assistir. Outros lembraram de avΓ³s e mΓ£es que tambΓ©m enfrentaram o Alzheimer, transformando o relato de Alexandre em um espaΓ§o coletivo de desabafo e acolhimento.
Mais do que uma fofoca de bastidor, a histΓ³ria de Alexandre Borges Γ© um lembrete poderoso de que, por trΓ‘s de cada galΓ£ que vemos na telinha, existe um ser humano com perdas, escolhas difΓceis e liΓ§Γ΅es aprendidas no jeito mais duro possΓvel. E talvez seja exatamente essa humanidade que continua fazendo dele um dos atores mais queridos do Brasil.
π A VisΓ£o do Papo de Estrela
Por trΓ‘s do galΓ£ durΓ£o de tantas novelas existe um filho que largou tudo para acompanhar a mΓ£e atΓ© o fim. A coragem de Alexandre Borges nΓ£o estΓ‘ em interpretar a dor, mas em vivΓͺ-la de peito aberto e transformΓ‘-la em conselho. Quando ele diz “faΓ§a as pazes com seus pais”, nΓ£o Γ© fala de personagem: Γ© a liΓ§Γ£o mais cara que a vida lhe cobrou. E Γ© por isso que essa histΓ³ria atravessa a tela e chega tΓ£o fundo em quem assiste.
π° Fontes consultadas
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